E qual é a novidade?
Prezado Leitor,

É com grande entusiasmo que escrevo este primeiro editorial da nossa recém lançada Newsletter.  Este periódico, que passará a chegar às mãos dos nossos clientes, colaboradores e fornecedores, substituirá o antigo “Sintonia”, jornal escrito desde a inauguração deste escritório em 1998 e até abril de 2008, data de sua última publicação.

Desde o momento em que eu fui convidado para escrever este editorial de lançamento, passei a refletir sobre qual seria o melhor tema a ser abordado e que pudesse atrair a atenção e o interesse de todos os seus destinatários. Em um escritório de advocacia trabalhista empresarial, não me fugiram à mente os “atuais” temas palpitantes, tais como a reforma que se encontra em trâmite no Congresso Nacional, a recém aprovada Lei de Terceirização, as novas Súmulas dos  Tribunais, dentre tantos outros que estão diariamente estampados em todos os meios de comunicação.

Para buscar a inspiração necessária, resolvi ler e viajar por todos os editoriais que já foram escritos pelos diversos profissionais que já passaram por este escritório os quais, de alguma forma, contribuíram para um maior aprofundamento no debate das questões trabalhistas do nosso país. Não me surpreendi ao constatar que os temas trabalhistas “ditos” como atuais, com pequenas ressalvas, são atávicos e já foram debatidos à exaustão por muitos, ou todos, setores da sociedade civil.

Não há surpresas. Nem nos diagnósticos, muito menos nas soluções.

Escrever sobre a necessidade de aprovação da reforma trabalhista, com o fim da contribuição sindical obrigatória, com a prevalência do negociado sobre o legislado, sobre o fracionamento da fruição do período de férias, sobre a necessidade de se conceder uma maior autonomia às partes, da imperiosidade de manutenção dos direitos fundamentais dos trabalhadores, dentre vários outros temas “atuais”, mostra-se um raso exercício de volta ao passado, requentando, como se novo fosse, algo já explorado e debatido em profusão há anos. O que me surpreende, tanto quanto me decepciona, é a constatação de que o pleno exercício da cidadania, por meio do voto democrático, não foi o suficiente para guindar nossa sociedade a um patamar civilizatório mais justo em todas as suas relações. A representatividade perdeu-se em detrimento da prevalência da individualidade em seu grau máximo, com a defesa de direitos escusos e desalinhados, com ênfase na ideologia em detrimento do utilitarismo real. O avanço que tanto se almejava, em todos os seguimentos da sociedade, não ocorreu.

De qualquer forma, ainda que após quase vinte anos decorridos do nosso primeiro editorial, descortina-se uma real possibilidade de se levar adiante a discussão e aprovação destes temas tão sensíveis ao desenvolvimento do país, tais como, a reforma trabalhista, a recém aprovada Lei de Terceirização, e com uma boa porção de otimismo, a reforma previdenciária. Certamente, se há vinte anos  todos os atores sociais tivessem lançado um olhar crítico sobre este cenário, não estaríamos mergulhados nesta severa crise que assola atualmente a nação, mormente com o estrondoso número de quatorze milhões de desempregados. Da mesma forma, se olharmos imediatamente para a questão previdenciária, não lamentaremos daqui a vinte anos sua inviabilidade econômica. A retórica de aprender com o passado e corrigir o presente para salvaguardar o futuro é a melhor receita para buscarmos o almejado progresso. Não será fácil, mas necessário. Repito, nada há de novo. Mãos à obra.

Renovo o convite para que você, leitor, acompanhe os textos que serão disponibilizados pelos profissionais do nosso escritório.  Se lograrmos êxito em uma leitura agradável, já teremos alcançado nosso principal objetivo.

Um forte abraço,

Arnaldo Pipek